A pesquisa SERTÃO DE LEMBRANÇAS não é sobre o Sertão. Nem para o Sertão. É ‘no Sertão’. Ou, pelo menos, no Pajeú, uma parte singular desse território imenso, que alimenta com sua poética o imaginário da nação brasileira. Não foi pretensão buscar uma totalidade do Sertão de modo a encarcerá-lo em uma definição conceitual única. Também não buscou ser algo ‘para’ o Sertão, depois de tudo o que já foi escrito em na Sociologia, Antropologia, Economia e Literatura. Do que já foi mostrado, fotografado, filmado, pintado, esculpido ou performado. Do que já foi declamado, improvisado, poetizado. Escrito e publicado. Cantado, preservado ou perdido.

Mas como se fotografa a lembrança? Ou ao menos a aparência possível das imagens, objetos e vivências que disparam o gatilho da recuperação do vivido em forma de narração?

As fotografias podem ser um recurso positivo à lembrança, pois chama a atenção de uma cena que se transforma em monumento, seja em uma parede, álbum ou guardada em uma caixa de sapato. Fotografar também questiona o vivido, pois pertence de modo diferente à cada pessoa.

Portanto, na pesquisa não se interpreta as imagens. Isso foi feito em outra lógica: a poética. Precisamente, na mesma tradição da poesia escrita, lida, declamada, improvisada, cantada e lembrada que habita nas pessoas do Pajeú.

O objetivo, é criar uma teia de sentidos entre imagem e letra que seja maior que somente as fotografias e as poesias aqui apresentadas. Juntas, as poesias e fotografias São mais que uma complementação: são modos de inspirar-se mutuamente. Onde por vezes a fotografia pele da poesia e; noutras vezes também se dá ao contrário.